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3. Tecnologia e Inovação para a Manutenção e Promoção da Vida

21 de Março de 2017, 12:52 , por Ana Elisa Rocha - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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No curso da vida, sua manutenção pode se dar de forma variada e implicar melhores ou piores condições de qualidade para o desenvolvimento humano, ambiental e social. Por esta razão, várias são as medidas necessárias para a promoção da qualidade de vida das pessoas pertencentes aos diferentes grupos e condições sociais. A promoção da vida humana perpassa, obrigatoriamente, a manutenção de vidas, equipamentos, procedimentos, processos, serviços, políticas, entre outros aspectos, que garantam eficiência e segurança para as ações humanas.

 

Profissionais e usuários dos serviços de saúde utilizam diferentes tipos de tecnologias. Estas tecnologias são classificadas em tecnologia leve, leve-dura e dura. A tecnologia das relações surge como um dispositivo do atendimento humanizado, destacando-se as categorias de acesso, acolhimento e vínculo de pessoas afetadas em sua saúde. A tecnologia leve envolve o lidar com cada um dos diferentes interesses dos sujeitos envolvidos na construção da saúde. As tecnologias leves se fundamentam na relação direta usuário-profissional, concretizada por meio de ações de cumplicidade, vínculo, aceitação e ética do cuidado. Já a tecnologia leve-dura inclui o conhecimento técnico estruturado nas disciplinas que operam em saúde. Nesta categoria são incluídos protocolos, procedimentos padronizados, controle de variáveis, prontuários, ações socioeducativas, softwares, aplicativos etc. Enquanto que a tecnologia dura é responsável pela decodificação de dados precisos de saúde e envolve equipamentos, instrumentos, ferramentas, próteses, órteses, dispositivos, etc. As tecnologias duras podem ser substitutivas ou auxiliares das funções fisiológicas, ferramentas para procedimentos invasivos e não invasivos, bem como respondem pela gestão e informação em saúde.

 

Criada pela portaria do Ministério da Saúde número 2915 de 12 de dezembro de 2011, a Rede Brasileira de Tecnologias em Saúde (REBRATS) se propõe a integrar ações de pesquisa e práticas que envolvem o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a Gestão Pública e Privada de serviços de saúde. Por meio de um processo contínuo de análise e síntese dos benefícios para a saúde e das consequências econômicas e sociais do emprego de tecnologias em saúde, a REBRATS visa garantir: segurança, acurácia, eficácia, efetividade, custos, custo-efetividade, impacto orçamentário, equidade e impactos éticos, culturais e ambientais.

 

No âmbito da saúde, são necessárias pesquisas e ações que possam proteger as pessoas de doenças infecto contagiosas, doenças parasitárias, doenças transmissíveis, incluindo as sexualmente transmissíveis, as por contaminação por aerossóis e por infecção via hospedeiro; além das crescentes doenças mentais e hábitos arriscados para a integridade humana. Práticas de imunização, cuidados com o meio ambiente, cobertura da assistência nos diferentes níveis e locais (comunidade, ambulatórios, hospitais, empresas e escolas) e garantia do direito de participação social de todos os cidadãos; exigem olhares interdisciplinares amplificados.

 

No campo do adoecimento, faz-se necessário reduzir riscos e danos por comportamentos inadequados relacionados com alimentação, prática de exercícios físicos, relacionamentos interpessoais na família, no trabalho e na sociedade, problemas de violência, tabagismo, consumo de álcool, crack, medicamentos e outras drogas. Ações socioeducativas podem empoderar as diferentes comunidades e impactar significativamente no aumento da qualidade de vida da população e na diminuição de agravos à saúde. Por isto, a educação, tanto em saúde como no seu contexto mais amplo, entra como base essencial para a redução de riscos e danos e garantia do bem estar geral da população. Crianças em idade escolar, jovens e adolescentes constituem-se no futuro da nação e, por isso, cuidar da formação deles é vital para a sociedade. Atenção especial necessita ser dada aos ambientes escolares e ao âmbito familiar para o alcance do desenvolvimento humano em sua máxima plenitude.

 

Em relação aos problemas de saúde existentes, faz-se necessário mapeá-los nos diferentes contextos, para que seja promovido o cuidado preventivo, curativo e reabilitativo das pessoas afetadas por desordens bio-psicossociais relacionadas à saúde. Estudos sobre diferentes preditores e protetores de doenças fornecem dados essenciais para o controle do adoecimento populacional. Mapeamento georreferenciado e análises dos contextos sociais e ambientais em relação aos problemas que levam ao adoecimento podem auxiliar a estabelecer estratégias de enfrentamento das questões que afetam a saúde humana. Políticas públicas e privadas podem encontrar respaldo nestas análises para transformação do contexto social onde se inserem as pessoas em situação de risco e vulnerabilidade, reduzindo agravos.

 

A área das ciências exatas também se articula fortemente com o adoecimento e com a manutenção da saúde. O desenvolvimento de novas tecnologias, de novas aplicações para o cuidado com as pessoas, de novos procedimentos e de soluções inovadoras pode complementar o campo interdisciplinar da saúde, reduzindo o adoecimento humano em suas amplas dimensões. O acompanhamento das pessoas em idade produtiva, de forma que permita sua inserção ou reinserção no mercado de trabalho, pode ser apoiado por ferramentas tecnológicas com funcionalidades diversas. O acompanhamento dos trabalhadores é essencial para o desenvolvimento da cidadania. O desenvolvimento de tecnologias assistivas, de soluções para a vida independente, o aperfeiçoamento de ferramentas de auxílio à saúde e o desenvolvimento de estratégias de gestão são fundamentais para a inclusão social de pessoas com deficiência e para a segurança da saúde do trabalhador.

 

No campo das ciências sociais e políticas, a legitimação e judicialização das posturas e práticas em saúde garantem o respaldo necessário para que a manutenção da vida seja universal, que os direitos fundamentais sejam preservados e que a justiça restaurativa possa atuar na solução de conflitos entre os membros dos diferentes níveis hierárquicos das instituições contemporâneas. A promoção da saúde na escola, no trabalho, nas empresas, nas famílias e nas comunidades exige aplicação de tecnologias leve e leve-dura que possam conciliar valores e visões complementares de mundo para o bem comum.

 

Do mesmo modo, o desenvolvimento da espiritualidade pode apoiar, substancialmente, as pessoas no enfrentamento dos problemas de saúde e doença. Bases espirituais ampliam a resiliência necessária para lidar com situações crônicas de saúde e fortalecem as pessoas para o desenvolvimento de atitudes éticas e positivas frente aos desafios contemporâneos.

 

Por ser um problema amplo, multidimensional e complexo, os campos do conhecimento precisam se articular para compreender as causas mais profundas do adoecimento, que envolvem fenômenos comportamentais, ambientais, econômicos, políticos, culturais e espirituais. Em uma perspectiva mais ampla sobre condições de saúde e de adoecimento, é possível identificar estratégias necessárias para a promoção da saúde e para a proteção dos seres humanos.  A saúde é fundamental para o desenvolvimento humano em todos os aspectos que envolvem a complexidade da vida nas sociedades contemporâneas.

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