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22 a 26 de Outubro de 2018

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EIXOS TEMÁTICOS

21 de Março de 2018, 18:27 , por Ana Elisa Rocha - | 1 pessoa seguindo este artigo.
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1. Diversidade, Respeito e Justiça

O tema da alteridade implica imediatamente a questão da diversidade. O ‘outro’ não é simplesmente mais um indivíduo de uma série homogênea, é também o ‘diferente’, que interpela criticamente e desafia a ajustar continuamente nossa compreensão e participação ativa diante da realidade. Nossa cultura se fundamenta na razão lógica de origem grega, que foi sistematizada pela lógica aristotélica, e que se traduz nos princípios de identidade e não contradição. Essa razão lógica é hoje desafiada a se repensar de forma dialógica, no contexto de um pluralismo que evidencia a diversidade e a complexidade como dimensões constitutivas da existência humana no mundo.

Passar de um paradigma baseado na razão lógica a um paradigma baseado na razão dialógica é o que pode criar as condições de uma nova cultura ética de respeito e valorização das diferenças e de uma convivência justa e não violenta.

A deficiência ética da cultura da violência, da injustiça social e da discriminação consiste justamente em “absolutizar” uma única visão de mundo, que não sabe respeitar a alteridade de outras visões e dialogar com elas. Aqui, a sorte do ser humano fica refém de um pensar que é considerado correto somente quando baseado no princípio de identidade e de não contradição. Isso se traduz num tipo de convivência humana na qual o que não é “idêntico” se torna automaticamente contraditório (inimigo) ou excluído (marginalizado).

 

2. Família, Alteridade e Educação

A família se constitui como espaço primeiro e privilegiado de vivência da alteridade e, por isso, lugar de educação permanente ao respeito e promoção criativa da vida, em todas as suas etapas e condições. As relações intersubjetivas que se desenvolvem dentro do âmbito familiar estabelecem a formação do caráter e as bases para a atuação da pessoa em sociedade, com responsabilidade frente aos direitos fundamentais e o respeito ao próximo. A família tem a responsabilidade primeira na formação e educação ética e humana, sendo o ponto de partida para a discussão educativa, política e social.

Resgatar a importância vital da família e do papel de cada um de seus membros para a construção de uma convivência sadia e humanamente rica é um desafio cultural que comporta uma convergência de pesquisas e intervenções interdisciplinares, que possibilitem entender e lidar com as novas problemáticas da realidade familiar.

 

3. Políticas Públicas, Judicialização e Direitos Fundamentais Sociais

Os direitos fundamentais sociais, estabelecidos pela Constituição Brasileira de 1988, constituem-se como direitos prestacionais, que exigem do Estado e da sociedade ações positivas para sua efetivação. A sua força normativa impõe obrigações a todos os atores sociais e em especial ao poder público quanto ao planejamento, orçamento, discussão e execução de políticas que visem concretizar de forma equitativa os direitos sociais, como saúde, educação, alimentação, transporte, moradia, assistência social.

A realização de políticas públicas que privilegiem a dignidade da pessoa implica também no modo como são pensadas e realizadas, considerando cada pessoa como ser capaz de colaborar e participar de espaços decisórios e de defesa dos direitos, sobretudo para a grande parcela da população que ainda se encontra em situação de vulnerabilidade social. As políticas públicas passam a ser um espaço de efetivação de direitos e de realização de oportunidades e capacidades, atentas à realidade concreta, na busca por soluções jurídicas, políticas e sociais para promoção dos direitos fundamentais sociais e da dignidade humana.

A questão da judicialização dos direitos fundamentais também é colocada em discussão para determinação dos limites das decisões e sua interferência na gestão e administração de políticas públicas. É o momento de repensar o papel de cada um dos Poderes na efetivação de direitos.

 

4. Educação, Tecnologias da informação e Direitos fundamentais

A educação e as novas tecnologias da informação podem exercer um papel decisivo tanto na promoção como na participação em instâncias de deliberação e de defesa dos direitos fundamentais. Por isso, é importante dedicar a devida atenção crítica à relação direta entre educação, novas tecnologias da informação e direitos fundamentais.

Com a inserção das novas tecnologias no campo da formação é preciso repensar a educação para que, não só na teoria como também na prática inclusiva das mais diversas alteridades, se forme cidadãos comprometidos com o viver em sociedade e que saibam articular responsavelmente os direitos dos outros com os deveres próprios.

 

Considerando que a elaboração e a compreensão dos direitos fundamentais é essencialmente um fenômeno social, se torna urgente que também as novas tecnologias da informação avaliem criticamente e dialogicamente os seus impactos sociais. Impactos que, numa humanidade conectada mundialmente através de redes sociais, tornam-se cada vez mais relevantes em relação à compreensão e à prática dos direitos fundamentais.

 

5. Direitos fundamentais, Educação ambiental, Vida urbana e rural

O contexto urbano e rural, que se constitui de maneira integrada em espaço de produção da existência da vida, vem colocando historicamente em questão de forma cada vez mais desafiadora, o exercício e a concretização dos direitos fundamentais. O processo intensivo de urbanização, assim como de ruralização, vem determinando concentração de problemas que ameaçam a alteridade e os direitos fundamentais: problemas de ordem relacional e ambiental, que se manifestam na violência da vida urbana e rural, danos ambientais e coletivos, novas tecnologias e transgênicos, questões de infraestrutura habitacional, urbanística, de transportes, condições de trabalho e de lazer, entre outros.

Há necessidade de promover direitos que requererem um modo de vida mais sensível ambientalmente, propondo alternativas de subsistência para as cidades e para a vida no campo, de forma que ampliem a dimensão de alteridade dos cidadãos e que levem em consideração a importância da geração de renda, produzida tanto nas cidades como em cadeias produtivas rurais e de subsistência familiar. Neste sentido, a atual realidade urbana e rural desafia a competência e criatividade dos profissionais de todas as áreas: da saúde à educação, das ciências sócias aplicadas às engenharias, arquitetura e tecnologias.

 

6. Engenharias, Empreendedorismo e Alteridade

O mundo contemporâneo pede novos olhares para as atividades de engenharia e empreendedorismo. Importante discutir o papel social e o engajamento dos profissionais com essa formação na construção de um mundo mais solidário, considerando o outro com fator fundamental nas relações de trabalho, produção e geração de riqueza.

As engenharias se configuram baseadas em altas tecnologias, mas ainda falta uma reflexão mais aprofundada entre a produção tecnocientífica e o desenvolvimento social, que não existindo, acarreta num empobrecimento da alteridade. O mundo globalizado impõe novas relações de trabalho, por isso se faz necessária uma reflexão sobre a formação nas Engenharias que contemplem a valorização do outro e o cuidado com a convivência humana.

O empreendedorismo aparece como fator que dinamiza os sistemas econômicos contemporâneos a partir da cultura de inovação e de criação de novos negócios. Atualmente ganha força o empreendedorismo social que provoca a inserção de soluções inovadoras para os grandes desafios sociais de nossas cidades.

 

7. Alteridade, Conhecimento e Espiritualidade

O processo do conhecimento humano se desenvolve como processo interpretativo de uma realidade que se caracteriza como Mistério, isto é, como algo que pode ser “significado”, sem nunca poder esgotar totalmente a riqueza da sua significação. A vida é tal justamente pela sua misteriosa inesgotabilidade. Para além de todas as mortes que fixam para sempre alguma manifestação da vida, ela, a Vida, continua o seu caminho com sempre novas e surpreendentes manifestações. O ser humano, como ser racional, é convocado a participar deste processo criativo do Mistério da vida.

Um saber que não seja finalizado a promover um relacionamento justo e respeitoso com os nossos semelhantes e uma convivência harmoniosa com a natureza é um saber mortífero. Quanto maior é hoje o nosso know-how, tanto maior deve ser o nosso cuidado para orientar humanamente tal conhecimento. Para isso, é indispensável um saber que não elimine o Mistério, porque morar num mundo humano significa morar no Mistério da alteridade: alteridade da natureza, dos outros, do Outro. Sem esta disponibilidade a conviver com o Mistério, o nosso compromisso para a construção de um mundo mais justo e mais pacífico continuará a fracassar. Esta disponibilidade é uma dimensão de espírito que podemos chamar de espiritualidade do conhecimento, que não pressupõe necessariamente uma espiritualidade “religiosa“, mas que com ela dialoga de forma inteligente e criativa, na constante busca de uma verdade que é sempre mais do que já encontramos.