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VII SDTDS

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O evento

1 de Junho de 2015, 13:10 , por Igor Leonardo - | Ninguém está seguindo este artigo ainda.
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A sétima edição do Seminário Internacional Dinâmica Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, promovido pelo Programa de Pós-graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social, traz como foco temático “Terra em Transe”, inspirado no filme do mesmo nome, do cineasta baiano Gláuber Rocha. O filme traz a dimensão política com suas disputas e alianças no direcionamento de dinâmicas territoriais em que promessas eleitorais são descumpridas e a violência agrária é exercida pela polícia.

O filme retrata um mundo em descontinuidade e rupturas em que há fome em diferentes expressões, violência institucionalizada, o homem em transformações. Também denuncia concessões em que o populismo é armadilha para o povo prenunciando repressão frente a expectativa de um mundo sem fome e analfabetismo. O transe no filme é movimento frenético, código artístico e experiência mística de religiosidades afro-brasileira.

Assim, o filme é ainda uma pedagogia revolucionária e nesse contexto é profundamente atual e global, embora tenha sido produzido para um Brasil em meados do século XX, situado, portanto, no tempo e no espaço.

A atualidade e abrangência espacial de “Terra em Transe” está em diferentes países e cidades do mundo diante de manifestações sociais e políticas como Occupy Wall Street em Nova York, o 15M espanhol, a Primavera Árabe em países como Tunísia, Líbia, Egito, Argélia, Iêmen, Marrocos, Bahrein, Síria, Jordânia e Omã, o Junho de 2013 no Brasil. Assim como no filme, nessas mobilizações há questionamentos revolucionários desta vez, à hegemonia do capitalismo em geral e financeiro em particular, à generalização do consumismo, os limites da democracia, o recrudescimento dos direitos sociais, as discriminações de gênero, a má qualidade dos serviços e infraestruturas públicas, a ausência de urbanidade, a precarização do trabalho, a privatização dos espaços públicos, a não efetividade dos direitos humanos e à natureza, enfim, todas as formas de opressão.

Nesse contexto, o uso de novas mídias fora do controle do estado e da imprensa, foi recurso técnico-científico-informacional que permitiu articulação ampla e acelerada, conectando pessoas, organizações e coletivos de diferentes lugares chamando tod@s a se mobilizarem, assim como interfere nas dinâmicas territoriais em diferentes escalas.

Embora as manifestações mencionadas recoloquem a questão urbana e política no centro do debate, no âmbito da academia científica e fora das manifestações de rua, a questão urbana é cada vez mais reconhecida como uma questão ambiental e agrária em processos difusos, contraditórios. Isto requer novas formas de olhar o mundo através da ciência e de olhar a ciência através daquilo que as multidões levam às ruas, do sem terra aos sem teto, sem cidadania, sem ambiente saudável, sem seguranças de todas as ordens, dentre outras carências que convivem assimetricamente com farturas e privilégios. Tornam-se necessários novos modos de pensar sobre as cidades, os municípios, os rurais, os urbanos, enfim, os territórios e as territorialidades em desenvolvimento

O VII Seminário Internacional Dinâmica Territorial e Desenvolvimento Socioambiental “Terra em Transe” se propõe a refletir sobre essas transformações, promovendo espaço de debates. Quais têm sido as respostas em termos de políticas públicas diante das reivindicações e demandas apresentadas nas manifestações de rua, nos colegiados territoriais, nos diferentes movimentos sociais urbanos e rurais? Que mudanças são necessárias ao poder estabelecido e à sociedade? Que utopias experimentais podem ser construídas a partir dos desejos e demandas colocados pelas manifestações e pelas resistências sócio-espaciais? Além das conferências, mesas-redondas e comunicações o seminário promoverá uma mostra de filmes que retratam as transformações ocorridas na década de 60. Em destaque o filme “Terra em Transe” de Glauber Rocha que servirá de tema do seminário.

Convidamos a todos e a todas para participarem conosco dessa reflexão no espaço de diálogo construído desde a VI edição do Seminário, entre saberes acadêmicos e não acadêmicos, por meio de intercâmbio de experiências e realização de atividades práticas, em acordo com o projeto pedagógico institucional da UCSAL, de comunicar-se com a comunidade não acadêmica ouvindo e construindo respostas às demandas sociais.


Fonte: SDTDS